20.3.12

>Postado por Isnelda


A arvore seca
Reflete em àguas turvas
Dia de inundação.



Passagem

poeira estelar, sou pó, sou pedra bruta
verso inacabado, sou noite sem luar
sou colar sem contas na busca resoluta
do que existe além da imensidão do mar.

entre palavra sem eco e poema não dito
adentro minhas veias, defendo o indefensável
e na mudez latente de inaudível grito
retorno ao interior de um lar quase imutável.


hoje namoro a vida enquanto abraço a morte
no leito de meu pai, inerte passageiro
que segue e vive em mim com fé e dissabor.

e o pó que me sustenta em fortuita sorte
hoje se avizinha - instante derradeiro
enchendo-me de adeus, de luz e muita dor.

Isnelda Weise







23.7.11

horas idas

quebrados todos os velhos ponteiros
de meu relógio, quantas  horas vãs
que desembocaram em dias sem manhãs
apontaram-me momentos derradeiros.

horas que vagas, entornaram ventos
baldio pesar de algum lamento antigo
que o momento presente, qual amigo
recompôs em minutos, sem lamentos.

e as horas findas reavivaram traços
tosco retrato em parede antiga
qual relembrança de elo destroçado.

despertando a saudade, aos pedaços
descobri-me a adentrar hora perdida
quem sabe num tic-tac mais compassado.

Isnelda Weise
Postado por Isnelda

20.7.11

Haicais de Isnelda Weise - INVERNO 2011


sob o frio noturno
acalenta o andarilho
a luz do luar.




sem abrigo algum
contra o vento impiedoso
ela e a solidão.



só e embriagado
 sonho com calor da noite
em degraus gelados.


 


trêmulas e frias
mãos de mendigo afagam
um gato de rua.





árvore colore
o telhado esbranquiçado
com folhas marrons.




no muro em ruínas
resistente a flor propaga
outono tardio.




na manhã de inverno
 mãos desnudas cobiçam
o calor do sol.




chaminé da casa
com fumaça esbranquiçada
veste o ar sombrio.




o fogão à lenha
aquece  cozinha e embala
sono de meu pai.

 




13.10.10

Oktoberfest - 2010

Postado por Isnelda

Oktoberfest- Haicais- Isnelda

típico dançar
folclore em corpos ligeiros
e o tempo que passa.


silêncio no parque
e rostos extenuados
a polca calou.

11.10.10

Neida compartilhou com seus pequenos grandes homens, além do amor, um chopp, na Oktoberfest no último sábado.

Postado por Isnelda

Neida Rocha - Poema

MEUS GRANDES

MEU PEQUENO GRANDE:

(ÓLIVER)

Sou tua mãe...

Sou tua amiga...

Sou tua cúmplice...

Sou teu carrasco...

Sou tua fã...

Sou tua segurança...

Sou tua confiança...
Sou...

...tua MÃE !!!


MEU GRANDE PEQUENO:

(OTÁVIO)

Sou tua mãe...

Sou teu alimento...

Sou teu conforto...

Sou tua necessidade...

Sou tua fragilidade...

Sou tua força...

Sou...

...tua MÃE !!!

10.10.10

OKTOBERFEST - DESFILE

Haicais - Isnelda Weise

tiara adorna
cabelos sempre cuidados
da hoje vovó.

alegria achega
turista e blumenauense
na Oktoberfest.


silêncio no parque
e rostos extenuados
a polca calou.

OKTOBERFEST - DESFILE

Postado por Isnelda

9.10.10

OKTOBERFEST-Haicais - Isnelda Weise


pato paga o prato
acordam o dono da casa
festeiros famintos.


sianinha na saia
ondula insinuando retas
e curvas fatais.

7.10.10

OKTOBERFEST

OKTOBERFEST

EIN PROSIT



Um brinde à saúde deste povo

Flutuando na leveza de sua dança

Um brinde a esta festa, à esperança

De outubro, em que inicia tudo de novo.



A você, visitante, que a alegria

Preencha sua estada em toda hora

Que mate-se sua sede sem demora

E preencha-se sua estada com folia.



Um brinde àquele que fez da semente

A branca e clara espuma benfazeja

Enchendo de ledice tanta gente.



Um brinde para aquele que deseja

Fartar-se deste copo e, contente

Morrer nos braços alvos da cerveja!



Isnelda Weise.

1.10.10

Postado por Isnelda

Soneto

Ao Tempo



Qual a hora de tua era eterno tempo

Em que instante misterioso te escondes

Se em princípio arrastado, num minuto

Meu destino redefines, resoluto ?



Se te sigo, não me segues, não respondes

Às imagens que dos séculos desenhas

Vida e morte em teu pêndulo abrigas

E de suas fragilidades, sei, desdenhas .



Tempo eterno, árduo enigma em movimento

Como emergir de tua passagem sem saber

Do acaso de um minuto em andamento?



Quem me dera ser guardiã do teu momento

No relógio de tua quadra adormecer

Para, então, sorver a tez do firmamento.



Isnelda Weise


26.9.10

haicais - Isnelda Weise



numa sexta treze
gato preto em noite escura
cruza a rua, altivo.


uma gata idosa
dorme o sono dos justos
sobre o sofá novo.


atrevido, o gato
curte a brisa no alpendre
namorando a noite.

Haicai - Isnelda

através do vidro

a tarde acinzentada

lá fora, a garoa

26.4.10

haicais - Isnelda Weise


teto (redes) cobre

sob destroços de hora ida

o azul do céu.






 fenda que desvenda

denso céu azul-turquesa

(des) cobrindo estragos.




14.4.10

haicai




mexericas verdes
(re) lembram cheiro de infância
à beira da estrada


cheiram mexerica
no pomar abandonado
as mãos da menina

haicai




no altar da igreja
sob vaso de margaridas
(só) Cristo e a cruz.

Postado por Isnelda

12.4.10

haicai


findas as nevascas
a floração amarela
 reaquecendo o olhar.

haicai(s)


(só) um olhar negro

desvenda luz que inflama

uma mulher (só).




os teus olhos negros

despem vastas vestes

(sem) sofregidão.



haicai = para Juliana



sob sol de um domingo

fez-se vi(n)da ao meio dia

sina, sombra e sonho

haicai - para minha mãe




nasceu  (re)começo

dia primeiro de ano novo

findou  (só) lidão.

haicai - Páscoa



ovos coloridos
reavivam vi(n)da de Cristo
na ressurreição.

10.12.09

Haicais - Isnelda


estrelas cadentes
realçam festas douradas
so (mente) em Natal.

maldosos (bem) ditos
sem luar e sem via-láctea
brindam-me a poesia.