19.1.09

Haicais - Isnelda Weise

Postado por AguAlento


em tempo de pera
no pomar abandonado
crianças caladas.


ah! árvore antiga
promete em galhos floridos
geleia de pera.



do quintal adentra
pela vidraça entreaberta
aroma de pera.


da pera madura
sumo escorre melando
a mão da menina.


sob mesa redonda
numa fruteira de vidro
peras verdolengas.

18.12.08

Natal - 2008


Árvore De Natal

Árvore De Natal


De verde vestida procura
Por mais um Natal - canto e crença
Cobertos de brilho - bonança
Estrela entre tragédia escura.

Bolas com nuança prateada
Após o pranto das águas
Luzes, borboletas mais laços
Abraços em estação - mágoa.

Verde eclodir redescobre
Um tempo de luz- esperança
Iluminando-nos com sua promessa.

Hoje é Natal... Cristo é nobre
Confirma junto a ela: é criança
A fé que do pó recomeça.



Bumenau/Natal 2008
Isnelda Weise



Cheias e devastação no Vale Do Itajaí - Novembro de 2008

estrela ilumina
posteridade e bonança
cobertas de lama.

é Noite Feliz
sombra, angústia e fé acendem
luzes da cidade.

morros desmoronam
pó, pó: cobre a esperança
de um desabrigado.

silêncio na rua
hoje o verde vale verte
lama e comoção.

um grito na noite
mais labaredas ao longe
clareando o caos.


depois do caos: vida
presença dos que se foram
num brado - esperança.


enfrentando entulhos
uma garota procura
sua velha boneca

Isnelda Weise

BARCOS - Haicais Isnelda Weise

na sua curva, um barco
em águas turvas ou claras
abarcando o rio.


barco moradia
emborca em dias de tormenta
sempre doce lar.


noite prazerosa
águas balançando o barco
embalam meus sonhos.


seu leme: quimera
de cais em cais barco embarca
saudades que vão.

7.9.08

canal se espreguiça
entre casas coroadas
pelo azul do céu.

isnelda weise





flores nas janelas

e enxaimel nas fachadas

longe o (e) terno lar.

isnelda weise

6.9.08


sob a ponte, o rio
mescla de postal e lide
num só navegar.

isnelda weise

HAICAIS - Isnelda Weise

saudosas glicínias
lembranças de um tempo ido
em cachos lilases.
isnelda weise
balança suspensa
no equilíbrio das flores
prenúncio de paz.


isnelda weise

Pontes




fugaz mão humana
ergue pontes sobre rios
doutro lado: alguém?
isnelda weise

Haicai- Telhados Heidelberg



telhados acolhem
vida que encobre presença
de (des) conhecidos.


isnelda weise

Museu da Comunicão


civilizações
guardam na palavra escrita
séculos de luz.

Isnelda Weise


Rio Main

torre entre o bosque
e o rio manso que os ladeia

espelhos da paz.

isnelda weise


30.8.08

Haicai - Isnelda Weise

no rio prateado
depois de longa jornada
raízes profundas.

isnelda weise


24.7.08

Sobre haicai - por Lorreine Beatrice Petters

Um pássaro brincando numa poça d'água. Um gato espreguiçando-se no telhado. Um raio de sol agraciando a flor na manhã. Instantes que passam despercebidos pelo dia-a-dia, mas que, quando observados, despertam em nós uma vontade de registrá-los de forma mais definitiva do que na frágil memória das retinas.
Uma das maneiras mais típicas de fotografar uma imagem, quando se pretende usar as palavras, é o haicai. De origem oriental, o haicai é muito mais que uma manifestação textual, é uma espécie de meditação que faz nossa atenção se voltar para a percepção do presente e nada além. Se na meditação tradicional, a atenção está focada na respiração, no haicai ela se volta (quase sempre) para a natureza. Um exercício que acaba por nos despertar para os pequenos encantos da vida e para momentos de rara e simples beleza, como neste exemplo de José Neres Reis:

Clara luz da lua
dança nas poças d'água
com o vento suave.

Enquanto a forma desses micropoemas é composta por 17 sílabas métricas, divididas em 3 versos (versos são as linhas do poema), o conteúdo está sempre relacionado a algo físico marcado pelo momento presente, transmitindo uma noção de efemeridade. O haicai, também chamado de haiku (em japonês), é despido de sentimentalismos e emoções. Traja unicamente a expressão sensória do momento, retratando uma experiência. Na tradição japonesa, os haicais devem expressar a transitoriedade da vida, expressão que é evidenciada através do uso de termos referentes às estações do ano, os chamados kigos.
Escrito por Isnelda Weise, o haicai a seguir revela elementos que nos transportam à primavera:

belas borboletas
de jardim em jardim pousam
sobre a flor: poema

A tradição de retratar as belezas das estações do ano a partir dos haicais iniciou-se com Matsuo Bashô (1644-1696), guerreiro samurai que abandonou tudo para cair na estrada e viver o presente (um verdadeiro presente a sua própria alma). Para Bashô, fazer haicais era quase como respirar, um estilo de vida baseado na forma inspiradora de contemplar a natureza.
No Brasil, o haicai também possui admiradores e criadores ávidos, com manifestações que vão desde as formas tradicionais às contemporâneas, que não seguem a métrica e ampliam as possibilidades temáticas, como neste exemplo de Millor Fernandes:

Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua.

O haicai é exatamente assim, retrata a exatidão do momento.

23.7.08

Três haicais para MEL, minha cachorrinha- Isnelda Weise

depois da estrada

Mel vira a lata da vida

proclamando um lar.



no meio da rua

Mel sem banho nem sustento

esgravata sonhos .



no assoalho claro

manchas depois da chegada

Mel germina vida.

14.7.08

Pôr-do-sol em Blumenau

Três haicais para uma paisagem- Isnelda Weise


pôr- do- sol acende
labaredas que acalentam
telhados da tarde.


quando o sol se põe
cinge as sombras da cidade
com rubro horizonte.



por um só momento
sobre a cidade em penumbra
arde o sol poente.


Três haicais para uma mulher (Mara, sobrinha)

Mara, marinheira

sem timoneiro, só mar

sempre à deriva .



do mar, Mara leva

sal sobre a pele morena

e a alma lavada.



envolta em silêncio

sob o azul do céu desliza

Mara sobre o mar.

9.6.08

PAINEL EM HOMENAGEM AO DIA DOS NAMORADOS

ORIGEM DO DIA DOS NAMORADOS

Existem diferentes versões sobre a origem do dia dos namorados.
É bem provável que a festa dos namorados tenha sua origem em um festejo romano: a Lupercália. Em Roma, lobos vagavam próximos às casas e um dos deuses do povo romano, Lupercus, era invocado para manter os lobos distantes. Por essa razão, era oferecido um festival em honra a Lupercus, no dia 15 de fevereiro. Nesse festival, era costume colocar os nomes das meninas romanas escritos em pedaços de papel, que eram colocados em frascos. Cada rapaz escolhia o seu papel e a menina escolhida deveria ser sua namorada naquele ano todo.
O dia da festa se transformou no dia dos namorados, nos EUA e na Europa, o Valentine’s Day, 14 de fevereiro, em homenagem ao Padre Valentine. Em 270 a.C., o bispo romano Valentino desafiou o imperador Claudius II que proibia que se realizasse o matrimônio e continuou a promover casamentos. Para Claudius, um novo marido significava um soldado a menos. Preso, enquanto esperava sua execução, o bispo Valentine se apaixonou pela filha cega de seu carcereiro, Asterius. E, com um milagre, recuperou sua visão. Para se despedir, Valentine escreveu uma carta de amor para ela. Foi assim que surgiu a expressão em inglês "From your Valentine". Mesmo tido como santo pelo suposto milagre, ele foi executado em 14 de fevereiro.
O feriado romântico ou o dia dos namorados judaico: desde tempos bíblicos, o 15º dia do mês hebreu de Av tem sido celebrado como o Feriado do Amor e do Afeto. Em Israel, tornou-se o feriado das flores, porque neste dia é costume dar flores de presente a quem se ama. Previamente, era permitido às pessoas só se casar com pessoas da sua própria tribo. De certo modo, era um pouco semelhante ao velho sistema de castas na Índia. O 15 de Av se tornou o Feriado de Amor, um feriado judeu reconhecido durante os dias do Segundo Templo. Em tempos bíblicos, o Feriado do Amor era celebrado com tochas e fogueiras. Hoje em dia, em Israel, é costume enviar flores a quem se ama ou para os parentes mais íntimos. A significação e a importância do feriado aumentaram em anos recentes. Canções românticas são tocadas no rádio e festas 'Feriado do Amor' são celebrados à noite, em todo o país. (Jane Bichmacher de Glasman, autora do livro "À Luz da Menorá").
No Brasil, a gênese da data é menos romântica. Alguns a atribuem a uma promoção pioneira da loja Clipper, realizada em São Paulo em 1948. Outros dizem que o Dia dos Namorados foi introduzido no Brasil, em 1950, pelo publicitário João Dória, que criou um slogan de apelo comercial que dizia "não é só com beijos que se prova o amor". A intenção de Dória era criar o equivalente brasileiro ao Valentine's Day - o Dia dos Namorados realizado nos Estados Unidos. É provável que o dia 12 de junho tenha sido a data escolhida porque representa uma época em que o comércio de presentes não fica tão intenso. A idéia funcionou tão bem para os comerciantes, que desde aquela época, o Brasil inteiro comemora anualmente a data. Outra versão reverencia a véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Adaptação: Lilian Russo
(Fontes: Revista Época, edição 160/2001; IBGE Teen e Revista Eletrônica Rio Total).

FONTE: http://ilove.terra.com.br

AMOR - Luiz Vaz De Camões

AMOR

Luiz Vaz De Camões

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


DA TABA TELÚRICA - Marlene Hüskes

DA TABA TELÚRICA

Marlene Hüskes

Faíscas nos olhos

festa de amigos

o vinho nas taças

o pão repartido.

Tudo se passa

como num filme

onde se vive

se celebra e sonha.

E abraçado se dança

num grande salão

com um fiapo de luz

uma valsa sem som.

E então se apercebe

das mesas vazias

que todos se foram

que a festa dos outros

já acabou.

SUBLIME SEMBLANTE - Tchello d'Barros

SUBLIME SEMBLANTE

Tchello d'Barros

Em teu sublime semblante
Breve encontro de almas
Hoje eu vi o meu rosto
No espelho dos teus olhos

E encontrei o teu nome
Nas linhas em minhas mãos
Mas um pássaro no azul
Riscou no céu meu destino


Os teus olhos no semblante
São duas mandalas fugazes
Duas gotas do Atlântico
São ilhas de uma saudade


E o desenho do teu corpo
Mármore feito de lua
Mapa e segredo de nuvens
Romã de raros aromas


Na pele pólem de pétalas
Doces odores de lírios
Um rumor percorre a carne
Em si um cio de ciúme


É água e rio caudaloso
Transborda o leito das veias
Na foz desse rio interno
As torrentes do sentir


No encontro da pele afago
No cerne do corpo carícia
Onde arde uma chama afeto
No doce do beijo ternura


Raios de sol no crepúsculo
Sussurram ventos no outono
Estrelas do firmamento
Mostram a luz dos cometas

E nesse urdume do tempo
Vemos um só horizonte
Sigamos tecendo juntos
Os fios da palavra destino


ESCREVENDO AMOR - Jairo Martins

ESCREVENDO AMOR

Jairo Martins

Palmo a palmo, poro a poro

Com caneta tinta mel

Na tua pele que defloro

E que faço de papel,

Escrevo a palavra amor.

Teu quente corpo insiste,

Tua suave pele aceita

Minha caneta em riste

E a caligrafia perfeita,

Passando a limpo o escritor.

E nosso texto se completa,

Desenhando linha a linha,

Tu a ninfa e eu poeta,

Todo teu e tu só minha,

Num contexto de fervor.

Vai seguindo a escrita

No teu corpo arrepiado

A caneta escreve e dita,

Tinta mel vira melado

E se espalha um torpor.

Pele nua, papel molhado,

A caneta tem fluído

Por amor, tema escolhido,

Texto escrito e assinado

Pela ninfa e o autor.

POR VOCÊ - Izabella Pavesi

Por você

Izabella Pavesi

Meu corpo anseia

por você...

Pelo seu toque,

Pelo seu beijo ardente.

Que alegria fugaz

me causas...

Que vertigens provocas em mim.

Incogitável perder-te!

Uma névoa de fagulhas cintila

Quando roças em meus pêlos

me amando...

saciando nossos desejos.

Um passeio interplanetário!

Arrasto sedas pelo chão...

Com os dedos trêmulos de emoção,

Na luz tênue do alvorecer.



SUGESTÃO DE PRESENTE - Neida Rocha

SUGESTÃO DE PRESENTE

(Dia dos Namorados)

Neida Rocha

No Dia dos Namorados,

analise bem

antes de dar um presente

para alguém especial.

Um sorriso não tem preço.

Um abraço não precisa

de cartão de crédito.

Um beijo não precisa de fiador.

O carinho não precisa de crediário.

Existem coisas

que não precisam ser compradas

e custam apenas o AMOR.

Quando fores escolher

o presente para representar teu amor,

não te preocupe com

o preço, a cor ou o tamanho,

se servirá ou se a pessoa vai gostar do modelo.

Dê apenas um gesto!

Isso tem mais valor

do que uma jóia cara.

Declare seu amor com confiança,

respeito, carinho e

principalmente com palavras.

Diga apenas:

EU TE AMO!!!

ON LINE - Fátima Venutti

ON LINE

(OU O NOVO PECADO CAPITAL)

Fátima Venutti


Amo-te assim mesmo:
Distante,
Incógnito,
Fantasioso,
Sem sentir teu corpo,
Teu gosto,
Teu cheiro,
O mel do teu gozo.

Amo-te assim mesmo:
Desaparecido,
Mudando de pátrias,
Surgindo ao repente,
Invadindo correntes,
Entregando-se em meus braços.

Amo-te assim mesmo:
Sem hora pra acordar,
Sem tempo pra tecer,
Sem jeito pra se revelar,
Sem fala pra partir,
Sem medo de se perder
Em mim.

Amo-te assim.
Inexoravelmente lasciva,
Voraz e afoita.
Eu me rendo.
E me entrego, fascínora,
À visão de tua web cam(a).



( ) LACUNA - Isnelda Weise

( ) Lacuna

Isnelda Weise

No frio que pelo quarto se esparrama

Cubro com tua ausência o chão que piso

Ontem amanhecias, se preciso

Entre os lençóis macios daquela cama.


Hoje me enrolo na manta que foi tua

Abrigo quente com um toque de algodão

À luz de uma só vela - um violão

E mais outro crepúsculo sem lua.


O teu perfume no ar, as labaredas

O vinho sobre a mesa e o mesmo som

Que hoje embala a lacuna pressentida.


Enganam com tuas sobras as veredas

Trilhas que nos afastaram na ilusão

De que seríamos livres com a partida.


CAMINHOS - Alba Albarello



CAMINHOS


Alba Albarello

O amor
Não é exclusivista
Deve ser distribuído
Como o vento.

É um projeto
Que dá flores
Em todos
Os momentos.

Há dentro
De cada um
O caminho
Que leva a alma.

Andando
É que encontramos
A maior das vitórias
Castelo interior.

Quando alguém chora
´É o orvalho,
Eu olho você
E conheço meu coração.

LEMBRAÇA PRESENTE - Dorothy Steil

LEMBRANÇA PRESENTE.

Dorothy Steil

Quanto mais o tempo passa,

Quanto mais o vento voa,

Levando e trazendo a névoa

Da lembrança presente,

Mais meu pensamento aflora.

O amor ressurge.

Me toca,

Me contagia.

E embebido em nuvens espiraladas,

Envolto em flores perfumadas,

Sinto teu coração bater junto ao meu.

Em dueto,

Nossos corpos estremeceram,

Elevendo-nos aos confins do fim.

BLUMENAU, 07.06.2008

ENCRUZILHADA - Jairo Martins

ENCRUZILHADA

Jairo Martins

Em te deixar há sofrimento lancinante com alvor de liberdade.

Em contigo ficar há um inferno com sabor de eternidade.

Em te deixar, certeza de abandono a um paraíso.

Em contigo ficar, a conseqüente evasão do juízo.

Em te deixar, perda de amor inigualável.

Em contigo ficar, tatear cegamente no impalpável.

Em te deixar, além de dor, nada mais acontecerá.

Se contigo ficar, além de amor, o que mais será?

Em te deixar há um rio de lágrimas a correr...

Se contigo ficar, cachoeira de lágrimas a nascer.

Vou te deixar. Que murche a rosa mais linda!

Pois se contigo ficar, murcharão mais rosas ainda.

Ao te deixar, tem nome de Morte o meu viver.

Contigo ficando será de morte este meu ser.

poetajairo@bol.com.br

www.guiadeblumenau.com.br

OLHANDO TEUS OLHOS - Edegar Soares

Olhando teus olhos

Edegar Soares

Teus olhos descrevem momentos

de ternura para alguém que passa sorrindo.

Teus olhos vibrantes, sedentos, cantando,

dizem coisas soberbas, pra ti, só pra ti...

teus olhos orgulhosos de terno olhar

dizem coisas que penso, no poder de pensar

teus olhos eu sinto, ditam coisas sem rumo

envolvendo distâncias no perdido infinito.

Teus olhos, eu creio de ternura sem fim...

bem sei que eles olham perdidos para mim.



REVELAÇÕES - Fátima Venutti

Revelações

Fátima Venutti

De olhar-te um tanto,

Pouco ainda que involuntário,

Resta-me o encanto de roubar-te

Mesmo que seja somente um presságio.

E de sentir-te outra vez, outro tanto,

Inda que acometa um último pecado,

Relicário torna-se a brisa que te roubei

A transformar teu sereno cheiro, único fado.

E que a julgar que o teu olhar e o meu sentir

Já não são mais somente regalos,

Eis que a aurora do outro dia me traz

Na fina seiva do orvalho, este amor enclausurado.

(In Último Beijo, Ed. THS Arantes, 2007, pág. 85)

4.5.08

Minha Mãe

Em maio, uma homenagem às mães do mundo.

mármore e pesar

sobre a sepultura: as flores

e o retrato da mãe.


.................................................


Teus olhos: espelhos

Hoje, ontem, sempre

Edificam meu caos

-Cajados, faróis-

Lar de (e)ternos sóis

Ausentes, agora

...(a) DEUS.

Isnelda Weise



Soneto Às Mães.

Mãe


O sono demora, vai alta a madrugada

Teus olhos cansados, os pés doloridos

Vagam pela noite quando os sentidos

Confiam, aguçados, enquanto estás calada.


Na palidez da insônia antevês a aurora

A fustigar-te os olhos quase adormecidos

É teu o lamento, o brado destemido

Em busca do filho que perdeu-se fora.


Pela manhã mãe, à noite erma espera

Amanheces mulher depois viras destino

De luas que espelham tua solidão.


Sombras, tempestades, mãe em qualquer era

Bússola em mar revolto, teu barco: um menino

Fé tens como leme, estrela - o coração!


Isnelda Weise.

Mãe

Mãe:

Seiva, raiz e flor

Palavra-gesto

Seio cálido de amor.

Mãe:

Flor trazendo em si o botão

Raiz terra de tenra vida

Seiva vertente do coração.

Mãe:

Palavra, grito e clamor

Gesto do Filho de Deus

Felicidade e dor.

Jairo Martins

Para Minha Mãe

Para minha Mãe


Um encontro,

Um amor,

Uma concepção.

Uma dor,

Um ventre sofrendo,

Um novo coração,

Agora batendo.

Do ventre uma fruta,

Dos olhos as lágrimas,

Dos lábios uma oração.

Uma pessoa esquecida de si

Olha o filho e sorri.

Abandona direitos, cumpre deveres,

Na alegria de ver um ser crescer.

No coração brotou amor,

Dois seios jorraram vida...

Uma mulher machucada,

Que esqueceu da ferida,

Para ser Mãe dedicada.

A palavra mais sincera,

O “ai” mais doído,

O amor mais forte,

a ti pertencem.

A gratidão se transforma em silêncio,

Que é reconhecimento da dívida

que não pode ser paga.


Jairo Martins


Poema Das Mães

Poema das mães


Dizem que ser mãe é sofrer no paraíso.

Dizem que ser mãe é ser um anjo.

É ter de Deus... o sorriso.

É ter do infinito... a grandeza.

Dizem que ser mãe é ser heroína.

Dizem que ser mãe é ser eterna.

É ter do céu... a luz divina.

E ter de Deus... um sonho de paz.

Dizem que ser mãe é ser rainha.

Dizem que ser mãe é ser mais vida.

É ter certeza de não estar sozinha,

É ter esperança de uma nova era.

Dizem tanta coisa, mas nunca dirão tudo.

Porque ser mãe abrange o mundo todo.

Porque ser mãe desdobra o infinito...

O céu... a terra... o coração e... Deus.


Maria De Lourdes Scottini Heiden

Mãe

MÃE

Meu nome?

Ah! Meu nome...

Será que importa?

Sou doação

Apenas sou mulher

Até sou dedicação

Além de ser filha

Namorada, também sou...

Quem sabe... Noiva!

Esposa ou irmã

Não importa a interpretação

Suporte familiar

Alicerce, nas horas certas

Piloto de fogão

Conhecedora de desafios

Também, da solidão

Nunca me entristeço

Ao deparar com a ingratidão

Sou tudo isso

Não escolho profissão

Nasci para a vida

Viso à libertação

Também sou redimida

Transformo a dor em salvação

Especialista em ceder o perdão

Nas trevas sou luz

Em silêncio sou guia

Que entre perigos conduz...

Sou de fácil denominação

Basta sentir o meu sentir!

Não sou AMÉLIA

Nem, DAMA tento ser

Também não sou a flor

CAMÉLIA...

Apenas mulher de verdade

Visando a felicidade

Em qualquer sentido ou lugar

Mesmo na sociedade

Gostaria ser tratada

Apenas com dignidade

Ideais?

Será que os tenho?

Mas, um nome preciso ter

Poderia ser Competência

Sobrenome?

Quem sabe, Eficiência...

Porém, bastaria dizer:

Meu nome poderia ser

MULHER!

Mas, pelos meus filho, prefiro

ser denominada apenas...

MÃE!


Ilka Bosse

(Bailarina das Letras)

Mãe, Um Sonho De Valsa

Mãe, Um Sonho de Valsa

Mãe é como sonho de valsa.
Começa com uma valsa de sonhos.
Entra na pista, em toda dança se arrisca.
Desliza e rodopia..
Flutua na melodia.
Por qualquer besteira, planta bananeira.
Tem gingado, tem samba no pé.
Na defesa da cria, dança capoeira.

Dança valsa de ninar.
Pro seu próprio sonho acalentar.
Faz batuque, sapateia.
Retira sua prole da teia.

Para a Mãe, tem todas as notas.
Qualquer ritmo, qualquer som
Nada que a desafine.
Nada que lhe desfaça o tom.
Porque, nisto não há novidade,
Que dela nasce maior partitura.
A vida - musicalidade pura!

Cláudia G. Schmidt

Minha Mãe

MINHA MÃE


Adorada e com dedicação,

generosa e sincera, de tal modo eu te vi...

Amiga despojada de aflição e desprezo

com uma abnegação igual só você minha mãe!

Com você, eu aprendi

os sentimentos e a verdade,

a tua crença e ternura,

para o idoso abandonado.

Há anos...uma madrugada triste,

lágrimas fluíam em meu coração.

O silêncio era arrebentado por soluços

abatia-me uma grande desilusão,

via partir, sem retorno,

meu amor, minha razão,

era minha boa mãezinha,

não sei por que Deus a levou.

Agora padeço porque não estas comigo

repousas em outra senda,

onde brilham as estrelas,

onde reina paz e harmonia,

contemplando a eternidade...

Deixando-me sozinha,

espalhando o teu amor,

procuro levar ao mundo,

a semente boa por você brotada

e de muitas experiências,

lembranças do passado.

Por tudo o que deixastes,

o teu trabalho registrado.

você suportou

a minha amargura!

Com muito amor e piedade,

lá no céu, onde estás, Deus saberá:

Sinto muita saudade

uma imensa dor!...

Isso é uma passagem

Deus deu ao nosso coração

o direito de ter saudade!


Alba Albarello,

Pranto De Mãe

Pranto de Mãe

Ainda sinto o toque de seus dedinhos,

O fascinante brilho de seu olhar,

O magnetismo de seu sorriso.

Curvo-me sobre meu adorado anjo

Caído das alturas... o que restou dela...

Uns fios de cabelo, boneca e ursinho.

Dividir essa dor? E se erguer? Como?

Esse torpor me fragmenta me desalento,

Em segundos o céu enegreceu.

Amar incondicionalmente, doar-se

Esta foi minha missão, fui mãe!

Mas, amargar tanta dor, não!

É demasiado grande, não cabe em mim.

Sangra este meu peito estropiado

E verto grossas lágrimas de saudade.

Impregna-se minha alma de aflição

E a perplexidade me impede de reagir.

Olhe-nos lá do céu anjinho Isabella

Apenas olhe pela mãe que tanto te adora.


(Homenagem à mãe de Isabella)

por

Izabella Pavesi.

Ode Às Mães

ODE ÀS MÃES

(1)

Ana's... Maria's...

Marina's... Mariana's!

Mães dadivosas,

cheirando a suor

ou cheirando a rosas,

serão sempre bem vindas

pelas ruas infindas

da vida!


(2)


Ana's... Maria's...

Marina's... Mariana's!

Mães sofridas,

filhos nos braços,

nas esquinas da vida.

... E envoltas por laços

que lhe afetam o afeto.

São mães sem teto

e sem chão.

São mães sem sim

... E cobertas de não!


(3)

Ana's... Maria's...

Marina's... Mariana's!

Mães de sucesso,

mães em excesso

e sem mais

que se conte.

Mães heroínas,

são mães tão meninas,

rompendo o horizonte!


(4)

Ana's... Maria's...

Marina's... Mariana's!

Mães do amanhã,

mães no afã

de dizer o indizível.

Mães que o amor

fabricou,

e depois o louvou

realizando o impossível.


(5)

Mãe Maria, sem escola,

que trabalha noite e dia.

Tem na vida uma sacola,

pede esmola, a mãe Maria!


(6)

Mães de todos os nomes,

todas são fadas,

todas com fome.

Fome de ver

o filho feliz.

Fome de ver

o filho estudado.

É fogo que a fome diz

é fome de todo lado!


(7)

Fome

de um mundo melhor.

Fome que ao seu redor

possa trazer

um mundo de paz.

Olha o que a fome faz!


(8)

Mães de Isabelas

que se foram

e que formam multidões.

Mães de almas belas

com fome de justiça.

Mães de vida submissa,

mães que formam nações!

(9)

Mães que adotam,

mães que anotam

agruras em seus cadernos.

Mães que explodem,

são mães que podem

ter laços eternos!

(10)

Mães que sofrem ausências,

mães que deixam pendências

de saudade e solidão.

Mães da vida é que são!


Anair Weiricch

Mãe De Muitas Funções

MÃE DE MUITAS FUNÇÕES


Todos buscam ser mães confidentes

amigas e companheiras

mães para toda hora e dificuldade

Mas só algumas vêem isto se realizar

são as mães que tem amor no coração

não precisam ficar grudadas no filho

mas dar lhe carinho e atenção

Muitas mães maravilhosas com pouco tempo

são as melhores de todas porque aproveitam

estão em contato direto e passando muita força

Mas o que vale é ser mãe com amor

vale muito ter carinho e dedicação

nada adianta ter o filho para o mundo

o filho e a mãe tem uma ligação profunda

algo que vai além da ciência e consciência.

Uma mãe que cria seu filho com amor

recebe sempre em troca todo este carinho

Dia das mães é sempre

pois no dia a dia a mãe de muitas funções

se desdobra para ser pai, e também super heroína

pois salva seu filho em muitas confusões

Mãe é para todos os momentos :

ser elogiada e homenageada.



Sandra Tais Amorim



12.3.08

Minha homenagem à POESIA neste 14/03/2008.

POESIA

Isnelda Weise


Em infância imprecisa

Entre as paredes austeras

De um sótão qualquer

Brotaram sílabas e quimeras

Que ao sonhar verbos e versos

Conjugaram ao esgotamento

A mesma palavra

Que regada com dor e sombra

Entre trevas e trovas, relutou

Para ao amanhecer declarar-se

POEMA!

E hoje ao aclamar o seu dia

Atesta

Existem, sim-

No final de qualquer caos

Vestígios de flor

e

sinais de

POESIA!

SER POETA

SER POETA


ISNELDA WEISE


Ser poeta é caminhar por trilhas rasas

Contra vento mais ameno ou chuva forte

É saber que muito além de todo norte

No infinito da beleza pairam asas.


É cantar o ausente lar à luz do agora

O advento de outro sono feito espera

Deleitar-se com a imagem da quimera

Ao ver todas as certezas indo embora.


Ser poeta é brindar o universo

Com a canção e alforria de um só poema

É aninhar-se no conforto da anistia.


Para então beber da taça de seu verso

Ante o encanto que desfaz qualquer dilema

O imortal e doce néctar da POESIA!


9.3.08

8 de Março, Dia Internacional Da Mulher



MULHER

vim mulher
para
depois
dissonante
descobrir-me

abelha
e sentir
na tez
desnuda
o aroma
e
a cor

da flor
(quase) livre
que me veste
mais
o verde

do arbítrio
prisioneiro
que me despe
e o pólen
derradeiro
que não tive
porém
-louca-
quanto quis!

Isnelda Weise

Homenagem ao dia internacional da MULHER

SONETO À MULHER


Março se aproxima e a natureza
Enfeita o olhar da mestra e musa
Mulher também mãe que não recusa
Ser mão mendicante na pobreza.

Traz em seu regaço a ironia
De mulher mandante e de megera
Na luta é afinco, fé durante a espera
E mártir na ausência e na agonia.

Em manhãs de março é fêmea-planta
Sonha à luz do sol que tinge sua tez
E unta sua pele com aroma ardente.

Nas noites febris: mulher, mãe e santa
Há sabor de fruto na palidez
Que anuncia o rito da mulher-amante.


Isnelda Weise

13.1.08

Haicais- kigô: "borboleta"


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Borboleta azul
traz de volta a mocidade
e antigo jardim.

Olga Amorim
São Paulo–SP





entre o amarelo
de uma floração precoce
borboleta azul.

Isnelda Weise
Blumenau–SC





Pétalas que voam,
coloridas borboletas
brincando no ar.

Marcelo de Andrade Brum
Santa Maria–RS





um sopro de vida
no jardim do hospital
leve borboleta

Clarice Villac
Campinas–SP





Luz branca do sol
Reflete o vôo das borboletas
Leves... Efêmeras.

Irene Massumi Fuke
São Paulo–SP





No chão do jardim
borboleta vermelha
descansa em paz.

Mário Azevedo Alexandre
São Vicente–SP





Voejam em pares
etéreas borboletas:
vôo nupcial!

Shinobu Saiki
São Paulo–SP





Logo de manhã
Um frenesi pelo jardim –
Bando de borboletas.

João Toloi
Guarulhos–SP




Tirando um cochilo
Na careca do vovô –
pousa a borboleta.

Benedita Azevedo
Magé–RJ




Borboletas em bando
Em busca de água fresca
Vagueiam a fonte.

Izumi Fujiki
São Paulo–SP




Pousam borboletas
Nas flores esbranquiçadas
Misturando cores.

Yone
São Paulo–SP





Farfalhar etéreo,
asas multicoloridas
lá vai a borboleta!

Shinobu Saiki
São Paulo–SP





Borboletas matinais
Espalham-se pelo jardim –
Cores em movimento.

João Toloi
Guarulhos–SP





Passeio no campo –
Sobre o chapéu da menina
pousa a borboleta.

Regina Alonso
Santos–SP





Chega a visitante!
Dança o vôo e pousa leve:
Borboleta azul.

Iraí Verdan
Magé–RJ




Pousada no muro
A borboleta amarela
Abre e fecha as asas.

Benedita Azevedo
Magé–RJ





Pousa a borboleta
Preguiçosa, sobre a flor
Ainda botão.

Izumi Fujiki
São Paulo–SP




Dança das flores
Borboleta escolhe
A mais colorida

Harumi Ogiwara
São Paulo–SP




No café da manhã
A borboleta como visitante
Pousa no Bule.

Tita Lopes
Brodowsky–SP





Na beira da água,
Centenas de borboletas
Em pleno namoro

Reneu do Amaral Berni
Goiânia–GO




No jardim em flores,
Vovó e neto a admirar
A borboleta no ar.

Josete Maria Vichineski
Ponta Grossa–PR



Vem a borboleta.
Suas asas, minha roupa...
Hoje somos gêmeas

Madô Martins
Santos–SP




Na fonte da mata
borboletas esvoaçam
aos raios do sol.

Joaquim Felix do Prado
São Paulo–SP




Manhã no campo.
Nuvens soltas no ar
Revoada de borboletas.

Flávio Velasco
São Gonçalo–RJ



No riacho na serra
Encobrindo as pedras
Bando de borboletas.

Sérgio Matsumura
Arujá–SP

22.12.07

orkut - Minha página de recados

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7.10.07

Haicai- Isnelda Weise



belas borboletas
de jardim em jardim pousam
sobre a flor: poema

Haicai- Isnelda Weise



entre tantas bocas
cantando versos na praça-
boca de leão.

Bento Gonçalves- Haicai- Isnelda Weise

Em Bento Gonçalves
poeta lavra a palavra
homem planta uvas.

28.9.07

Ponte de Ferro De BLUMENAU (SC)



-“Mamãe, para onde aponta esta ponte?”
Ouvia sempre dela uma resposta, proferida de imediato e que me acalmava.
Nem sempre era a resposta que eu queria ouvir, nem sempre era a mais apropriada, na minha concepção infantil. Porém mais tarde, quando não tive mais a quem perguntar, conheci a angústia do caminhante só, ao deparar-se com uma ponte, não sabendo se deve atravessá-la ou não.
Não sabendo sequer, para onde ela o levará.
Meu fascínio por pontes vem da infância, e continua até hoje, junto com o caminho que faço para desvendá-las.

Ponte Capilano - Vancouver - CA


pontes
são
passagens
plataformas
que apontam
para pontos
do outro
lado
de
mim
mesma.


e
enquanto
(não)
ultrapasso
meus próprios
abismos
as pontes continuam:
transpõe rios
ligam cidades
perpassam canais
e assinalam no espaço
por onde eu
(só)
passo
cada passadouro
no qual
possa
através delas
me
(re)encontrar.
Isnelda Weise

Pontes - haicais - Isnelda Weise

do lado da ponte

Ipê amarelo emoldura

a mulher que passa.



outro aguaceiro

na ponte de ferro lava

metade de mim.



no rio a imagem:

ponte de ferro reflete

calmaria da tarde.




sob a ponte o rio:

enquanto a cidade dorme

-noite tropical.

25.9.07

Haicai- Isnelda Weise- Foto do jardim de Cláudia.

Entre tantas cores
cintila e doura o jardim-
Outra vez, o ipê.

15.9.07

Haicai - Begônias -Isnelda Weise


Rude jardineiro
Reencontra alegria e alento
Nas frágeis begônias.

Haicai- Dálias- Isnelda Weise


As formosas dálias
Com seu intenso tom rosa
Fascinam passante!

Haicai- Barcos- Isnelda Weise


Antes da tormenta
Sem marinheiro, só mar
Barcos à deriva.

Haicai- Cerejeiras-de-okinawa- Isnelda Weise


O ancião contempla:
Cerejeiras-de-okinawa
Florindo, outra vez.

9.9.07

HAICAIS E Poemetos - Isnelda Weise - fotos tiradas no oeste do Canadá e Alaska- Agosto de 2007


igualdade
Inuit:
a
remoção
de uma
(só)
pedra
aparta
do
INUKSHUK
o
TODO
que
se perde.


Isnelda Weise
A escultura da foto, feita em pedra, é uma das muitas da arte dos Inuit (antigos esquimós). Chama-se INUKSHUK, e simboliza a igualdade entre todos os seres. Atualmente está em destaque, tendo em vista que será o símbolo dos jogos de inverno de Vancouver-2010. Por este motivo, hoje, para divulgação dos jogos, encontra-se estampada em camisetas, em forma de imagem decorativa, em pedra comum e até em pedra preciosa, em bonés etc.

8.9.07

Moraine Lake


Lago de outono-
A magnitude reflete
presença de Deus.

Já na passagem para o Alaska


O gelo desenha
Com lascas esbranquiçadas
Brumas sobre o mar.

Lago ao anoitecer


Ao anoitecer
Tece o luar prateado
Um véu sobre o lago.

Gelo sobre picos, em Whistler - visto do alto


Qual manta rendada
Gelo encobre montanhas
Cingindo o horizonte.

Janela entre o verde


Fenda na samambaia-
Numa vista inesperada
Descortina o mar.

Bosque, na ilha Victoria


Entre verde e ocre
Folhas do bosque aclamam-
início do outono.

Jardim na ilha Victoria


Fecunda semente
Reúne as flores do mundo
Num mesmo jardim.

Em pleno outono, flores e mais flores


Maria-sem-vergonha
Escolta o caminho e alegra
Quem por ele passa.

Caminho de acesso ao Bow Lake


Quimera ou retrato?
Depois da curva a paisagem -
Água transparente.

A caminho de Vancouver


Seguindo a auto-estrada
Montes, flores, rios e bosques-
Céu azul profundo.

Flores por todo lugar


Brincos- de- princesa-
Suspensos numa varanda
Pingentes florais.

Nem só de lagos vive o Canadá


Queda d'água verte
Espuma sobre rochedos
...e calma, prossegue.

Sobrevoando Whistler



Na tarde outonal-
Montanhas cingem o lago
Que pousa aos seus pés.


Outra vez: a flor




Eclodindo cores
A flor persiste na praça-
final de outono.

Bow Lake


Picos pontiagudos-
Límpida água do lago
Mescla terra e céu.

O Vale da morte



No vale da morte
Preenche o local com vida
Nascente de água.

Mulher solitária


Calmaria e saber-
Silenciosa sobre a pedra
A mulher e um livro.

Cascata na beira da estrada


Cascata cristalina-
Como tantas pelo mundo
Seu destino: o mar.

Jardim na ilha Victoria - meu reencontro com as Dálias.


Colhendo Dálias-
No jardim de minha infância
Mamãe as plantava.

Over The Bridge



over the bridge
I foresaw
that never
more
would be alone
and that
in your arms
dreams and solitude
and
the immense love
I have to give you
are
the only truth
of
our existence.


Isnelda Weise

27.5.07

O inverno traz consigo o sabor único do morango e todo glamour e clima romântico que caracteriza a estação.
Entretanto, é com os vinhos que acaba formando um par perfeito. A esta bebida dos deuses que o poeta tão bem canta:
" tchin-tchin."

Isnelda
.

Poemas Isnelda


na taça
de vinho
eu sorvo
teu cerne
sangrando
a garganta
singrando
teu co(r)po
topázio
a
jorrar.

Isnelda Weise



o
vinho
que é enlevo
levita
a vida
tão leve
que eleva
sua seiva
até
mim.

Isnelda Weise

Poemas

MELHOR VINHO…
Mário Quintana

Por mais raro que seja,
ou mais antigo,
Só um vinho é deveras excelente
Aquele que tu bebes, docemente,
Com teu mais velho e silencioso amigo.
........................................................................
VINHOS E LIVROS
Cardoso Marta

Da vida sábia e sem perda
Melhor exemplo não topo
Que um livro na mão esquerda
E na mão direita um copo.
Com igual fervor constante
Tua mão colide e agrega
Bons livros, na tua estante
Bons vinhos, na tua adega!
.....................................................................
TRADUÇÃO

Prece do Bordalês

Meu Deus...
Dê-me a saúde por muito tempo
Amor de vez em quando
Trabalho, não muito assíduo
Mas Bordeaux todo o tempo.



Poemas

CARTA PARA GARGALHADA DE BACO

Jairo Martins

Se lá soubessem eles...
Eva, costela de Adão,
Ele, rascunho dela.
A folha de parreira na janela do coração,
Uva esmagada, sangue do paraíso.
Num sorriso vermelho, Baco e garrafão.
Dois goles sem juízo bebem sofreguidão.
Vulcão, lava de amor,
Um cacho da vida espuma verbo no interior.
Emulsão, expulsão, emoção.
Todo segredo antes do vinho é cedo!
A casta não se tasca, a casca é tosca
O mosto é moço.
A uva é um cacho de venturas.
.......................................................................
TRADUÇÃO

"SONETO DO VINHO"
Jorge Luis Borges
Em que reino, em que século, sob que silenciosa
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular idéia de inventar a alegria?
Com outonos de ouro a inventaram.
O vinho flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.
Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto
Outrora a cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história
Como se esta já fora cinza na memória
...................................................................
Ode ao Vinho
ARTUR GOMES
para Ademir Bacca
meu irmão de poesia e vibração
vinho é tudo quanto bebo
tinto branco branco tinto
especialmente o brasileiro
das cantinas das colônias
das uvas finas de Bento
bebida de zeus e de baco
deuses do olimpo e do sacro
líquido com que me alimento
em festa e consagração
qual uma doce eucaristia
em comunhão feito missa
a celebrar poesia
da uva a seiva o fermento
o sagrado tempo da cura
até os lábios no cálice
sorver a santa doçura
na língua e no pensamento
vinho eu bebo rezando
em juras de amor ao momento
de olhos sorrindo pros céus
benditas mãos sejam tantas
as que trabalham os vinhedos
e sabem do fruto o sagrado
colher o milagre entre os dedos

Duas Taças De Vinho - Izabella Pavesi


Duas taças de vinho


Em minha taça tua sombra dança
Vinho gotas preciosas delirantes
Nossas bocas sedentas salivantes
Celebram a vida, a noite, o prazer.

Do sumo da uva em cacho, néctares,
Doces essências elevam-se em névoas,
Baco em malicioso olhar fita-nos... e,
Em estridentes risos brindamos: teers!

Ao tilintar, pupilas dilatam-se frágeis,
Lânguido olhar vagueia um tanto baço,
Entrededos tamborilam desejos, ávidos.

Nossa luxúria em corpos destila, excessos
Transcendo esse dia em jorros de alegria,
Entrecruzam-se fetiche reflexos e paixão.


Izabella Pavesi


______________________________________________


Todos os direitos reservados.
Textos devidamente registrados na Biblioteca Nacional.


Haicais

Taça de vinho vazia
Cinzas na lareira
E o bandoneon

Cristina Figueiredo


vinho tinge a boca
da moça namoradeira
e baco sorri.


Isnelda Weise


vinho branco seco
até o peixe cai na rede
da taça cristal.


Isnelda Weise


garrafas na adega
vinho de volta ao ventre
escuro da mãe.

Isnelda Weise
Parreiras em flor,
ancestral sangue da vinha,
cor(po) e sabor.

Terezinha Manczak




23.4.07


cubro-me com seda


nas (entre) linhas do verso

desnudando a alma.


Isnelda Weise




A história da tecelagem, pode-se dizer, remonta à história da humanidade. Pelo que se sabe, já há 12.000 anos o homem usava o princípio da mesma, entrelaçando pequenos galhos e ramos, para construir para si mesmo barreiras, escudos ou cestas, e isto tudo, inspirado numa pequenina teia de aranha.
Milênios depois, com materiais completamente diversos, o homem continua a tecer. E no rastro das vestes veio o verso.
Desta forma, sendo este um blog com proposta poética, exponho aqui, através de textos meus e de poetas amigos, alguns poemas sobre tecelagem e arte de tecer. Aos que lavram no tear, aos que tecem sonhos e labutam pela vida, tendo em vista a proximidade do dia primeiro de maio, Dia do Trabalho, nesta querida cidade de Blumenau (SC), no Brasil, bem como no mundo, uma singela homenagem, portanto.




Isnelda Weise

Terezinha Manczak - poeta

Na esquina o lume
Lavra poeta a palavra
O Ofício assume.


TEÇO

FIO A FIO
O
DESTINO
URDIDOS
SONHO

E

DOR
TEMPO
TRAMA

DESATINO

Terezinha Manczak

Ademir Bacca

No tear da emoção
Eu teço um manto de estrelas
Para aquecer a tua noite escura

Ademir Bacca

Haicais - Isnelda Weise



com arte, artesã
sobre mantas coloridas
acolchoa estrelas.



a mão operária
com tenros fios de algodão
tece o amanhã.



cai no chão, do avesso
a camisola de seda
anverso do prazer.



operário urde
tosca e resistente trama
frágil, fio por fio.



tic tac, burburinho
na lide do antigo tear
(entre) laços da vida.



tece o tecelão
com pura lã de carneiro
noites aquecidas



fio por fio, cosendo
nas asas do poema
veste vira verso.



Isnelda Weise


Haicais - Tchello d'Barros


luz do sol na teia
pequenina tecelã
tece fios de ouro


depois do poente
manto azul em Blumenau
tecido de noite



tic-tac dos teares
atrapalha o sono justo
dessas capivaras



flor-de-algodão
será parte de um vestido
estampa de flores


Tchello d'Barros

Lorreine Beatrice



Tecer

Tão sublime ato
simples passo ao infinito...
Revelar a essência
Tricotar a magia,
formando fio a fio
- poesia –

Tecer o avesso das idéias
contemplando
o que há de mais bonito:
o sentimento dos homens,
amor, sentido vivo.

Resta só declaração
do tear a trabalhar,
poema e emoção
o novo mundo renascerá.


Lorreine Beatrice

Alcione Guimarães


© ALCIONE GUIMARÃES



O mistério da trama
urde o poema.
O silêncio é o fio.
A palavra, a tecedura
mágica dos versos.

No silêncio me exponho às avessas,
meadas e meandros,
fio por fio.


A palavra o define e escava de mim